quinta-feira, 13 de maio de 2010

Eu amo Lilith

Não, nem bicho nem diaba, é mulher
só, Lilith, a que não se dá facilmente
ao primeiro que aparece, Adão qualquer,
ladrão qualquer de coração e mente.

Porque dá valor somente ao que sente
ela nunca faz aquilo que não quer,
e dizem que na sexta à noite, impaciente
nasce Pomba-gira em algum candomblé.

Mas sei: não é essa a Lilith que conheço,
austera e que traz nas mãos velho Terço,
a quem obedeço por saber mandar.

Pois quando ajoelha-se para rezar
volta-me as costas alvas, promissoras
de velhas posições sempre tentadoras.

Antônio Adriano de Medeiros