segunda-feira, 14 de março de 2011

Embriaga-te

Devemos andar sempre bêbados.
Tudo se resume nisto: é a única solução.
Para não sentires o tremendo fardo do Tempo que te despedaça os ombros e te verga para a terra, deves embriagar-te
sem cessar.
Mas com quê?
Com vinho, com poesia ou com a virtude, a teu gosto.
Mas embriaga-te.
E se alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre as verdes ervas duma vala, na solidão morna do teu quarto, tu
acordares com a embriaguez já atenuada ou desaparecida, pergunta ao vento, à onda, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo o
que se passou, a tudo o que gemeu, a tudo o que gira, a tudo o que canta, a tudo o que fala, pergunta-lhes que horas são:
"São horas de te embriagares!"
Para não seres como os escravos martirizados do Tempo, embriaga-te, embriaga-te sem cessar!
Com vinho, com poesia, ou com a virtude, a teu gosto.

Charles Baudelaire

Amore Eternos

Eu acredito em amores eternos, daqueles que acompanham a gente pela vida inteira, como se tempo e amor se fundissem num só elemento, tornando-se imutáveis, indestrutíveis.

Eu acredito em amores eternos, daqueles que vão com você para qualquer lugar, não importando o quão distante você esteja, por que a pessoa amada reside em seu próprio coração.

Acredito em amores eternos e sublimes, capazes de reconsiderar tudo, com suavidade, ternura e perdão.Acredito, sim, em amores para toda a vida, e além da vida, pois seria um tipo de amor unido à própria alma, e sem alma a vida não tem razão...

Amores eternos existem sim, e superam qualquer coisa, mesmo quando ninguém mais acredita neles, eles continuam sempre à espreita, esperando apenas um olhar, um retorno, uma reconciliação.

Augusto Branco

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Confesso (Cássia Eller)

Confesso acordei achando tudo indiferente
Verdade acabei sentindo cada dia igual
Quem sabe isso passa, sendo eu tão inconstante
Quem sabe o amor tenha chegado ao final

Não vou dizer que tudo é banalidade
Ainda há surpresas mas eu sempre quero mais
É mesmo exagero, vaidade!
Eu não te dou sossego, eu não me deixo em paz

Não vou pedir a porta aberta, é como olhar pra trás
Não vou mentir em tudo que falei, eu sou capaz
Não vou roubar teu tempo, eu já roubei demais

Tanta coisa foi acumulando em nossa vida
Eu fui sentindo falta de um vão pra me esconder
Aos poucos fui ficando mesmo sem saída
Perder o vazio é empobrecer

Não vou querer ser o dono da verdade
Também tenho saudade mas já são quatro e tal
Talvez eu passe um tempo longe da cidade
Quem sabe eu volte cedo ou não volte mais

Não vou pedir a porta aberta, é como olhar pra trás
Não vou mentir em tudo que falei, eu sou capaz
Não vou roubar teu tempo, eu já roubei demais

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Quando me amei de verdade!!!!

Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato.
E então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome... AUTO-ESTIMA.

Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades.
Hoje sei que isso é...AUTENTICIDADE.

Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo isso de... AMADURECIMENTO.

Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é... RESPEITO.

Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que se chama... AMOR-PRÓPRIO.

Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro.
Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é... SIMPLICIDADE.

Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muitas menos vezes.
Hoje descobri a... HUMILDADE.

Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é... PLENITUDE.

Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é... SABER VIVER!!!

Charles Chaplin

quinta-feira, 13 de maio de 2010

SIMBIOSE

Abrace-me
noite escura
sinto-me em casa
envolto em tuas trevas

Teus dedos gélidos
entorpecem e aliviam
atenuam a dor
trazem o esquecimento

Clamo por tua proteção
clamo por teu entendimento
nada temo sob teu manto
o real é fútil e efêmero

Somente em teus braços
encontro refúgio
na solidão da noite
sofro em silêncio

Somente em tuas sombras
posso ver meu reflexo
para onde quer que olhe
não encontro consolo

Você me faz ver
o que não posso ser
você me faz admitir
o que não posso sentir

Noite eterna
fiel companheira
segure minha mão
vamos caminhar juntos

teus olhos são meus olhos
tua miséria, minha miséria.

EVOQA
Quebre meus ossos
Fure meus olhos
Rasgue minha pele
Corte minha língua
e ainda estará longe
de destruir meu desejo de viver

Tire-me tudo
Tire-me a vida
Tire-me o passado
Tire-me o presente
meu futuro não depende de você

Sou o que faço de mim
Sou aquilo que crio
Quando tudo tiver ido embora
Ainda restará o que é mais importante

Há certos valores e princípios
contra os quais você não pode lutar
Você tenta me moldar
me derruba e agride quando estou no chão
Tenta me afogar em meu próprio sangue
Mas no fim sempre me levanto
Tonto e exausto, embora tranqüilo
Esperando pelo próximo golpe

Não canso de apreciar
sua expressão de surpresa
Não é fácil para mim
Mas é muito mais difícil para você
Afinal, esta é uma batalha
que não pode vencer

Eu vivo o que acredito

EVOQA

Eu amo Lilith

Não, nem bicho nem diaba, é mulher
só, Lilith, a que não se dá facilmente
ao primeiro que aparece, Adão qualquer,
ladrão qualquer de coração e mente.

Porque dá valor somente ao que sente
ela nunca faz aquilo que não quer,
e dizem que na sexta à noite, impaciente
nasce Pomba-gira em algum candomblé.

Mas sei: não é essa a Lilith que conheço,
austera e que traz nas mãos velho Terço,
a quem obedeço por saber mandar.

Pois quando ajoelha-se para rezar
volta-me as costas alvas, promissoras
de velhas posições sempre tentadoras.

Antônio Adriano de Medeiros