Sou mais fluída que água, sou remanso, sou queda, sou cascata, sou mar;
Sou mais etérea que o ar, sou calma, sou nuvem, sou eu que te faço flutuar;
Mais quente que lava, mais fria que gelo, jamais explodir, nunca derreter;
Quero navegar pelo azul do céu dos sonhos e no oceano do incerto, me perder.
Meus pés jazem na terra, nela sou grama, sou verde, sou árvore, sou floresta;
Meu coração está no mar, sou gota, sou maré, sou onda, sou azul, sou o sal;
Mente está do Olimpo ao Valhala , em todo paraíso conhecido, sou anjo e besta.
Onde está meu poder? Onde jazem as forças que me conduzem ao bem ou mal?
Que da lua crescente, me faz menina; donzela intocada; sou pálida, sou cálida, sou fria.
Na lua cheia me fiz mulher, sou bruxa, sou todo poder, sou imortal, sou luz que guia.
Na lua minguante amadureci, sou anciã, sou experiência, sou mandinga, sou juízo.
Na lua nova sou negra, sou sombra, sou Lilith, sou mágoa, sou alcova, sou feitiço.
Que fiz meu templo de tempo, folhas, flores e frutos; colunas de carvalho, céu estrelado;
Um caminho iluminado até as fogueiras, tenho para meus filhos um chão enluarado.
Sem medo ou vergonha, sem dádivas ou oferendas além do amor por mim,
Aguardo-os serenamente a encontrar meu coração, mas a jornada não tem fim.